Jonas Mekas : Reminiscences of a Journey to Lithuania

Cineclube Imagem-pensamento  // 08 de outubro

 

 

Reminiscences of a Journey to Lithuania 2 Reminiscences of a journey to lituania

Reminiscences of a Journey to Lithuania

1972, cor, som, legendado em Português, 82′

Reminiscences [of a Journey to Lithuania] tem a forma de um caderno de notas, ou de um diário, uma forma que grande parte do meu trabalho mais recente parece assumir. Não cheguei a ela por cálculo, mas por desespero. Durante os últimos 15 anos fiquei tão envolvido com o cinema independente que não tive tempo para mim mesmo, para minha própria produção cinematográfica – entre a Film Makers’ Cooperative, a Film Makers’ Cinematheque, a revista Film Culture e agora o Anthology Film Archives. Quero dizer, não tive longos períodos para preparar um roteiro, depois passar meses filmando, depois editar, etc. Tive apenas pedaços de tempo que me permitiram filmar apenas pedaços de película. Todo o meu trabalho pessoal tomou a forma de notas. Pensava que devia fazer tudo o que pudesse naquele momento, do contrário poderia não achar mais tempo livre por semanas. Se posso filmar um minuto – filmo um minuto. Se posso filmar dez segundos – filmo dez segundos. Aproveito o que posso, por desespero. Mas por muito tempo não vi o material que coletava dessa maneira. Pensava que o que estava fazendo era praticar. Eu estava me preparando, ou tentando manter o contato com a minha câmera, de modo que, quando chegasse o dia em que tivesse tempo, faria então um filme “de verdade”.

Quando fui para a Lituânia, foi-me oferecida uma equipe e câmeras, e poderia têlas usado. Mas não o fiz. Sabia que, embora as imagens filmadas por esses técnicos, seguindo minhas instruções, tivessem sido “melhores” profissionalmente, elas teriam destruído o tema que eu estava perseguindo. Quando você vai para casa, pela primeira vez em 25 anos, você sabe, de alguma forma, que as equipes de cinema oficiais não pertencem àquele lugar. Por isso escolhi a minha Bolex. Minha filmagem tinha de permanecer totalmente privada, pessoal, e “não profissional”. Por exemplo, nunca conferi a abertura da minha lente antes de filmar. Eu corria meus riscos. Sabia que a verdade teria de depender e girar em torno dessas “imperfeições”. A verdade que captava, o que quer que fosse, teria de depender de mim e da minha Bolex. Quando você filma com uma Bolex, você a segura em algum lugar, não exatamente onde está o seu cérebro, um pouco mais abaixo, não exatamente onde está o seu coração – um pouco mais acima… E então você dá corda, você lhe dá uma vida artificial… Você vive continuamente, dentro da situação, em um continuum de tempo, mas você filma apenas em trechos, tanto quanto permita a corda… Você interrompe sua realidade filmada constantemente… Você a retoma de novo…

Decido mais tarde, depois da filmagem, que sons vou usar. Coleto os sons sempre que posso. Usualmente finalizo com certa sequência e certos sons cercando a mesma situação. Vejo meu material como lembranças e notas, da mesma maneira que vejo meus sons coletados durante o mesmo período. No caso da música para a parte lituana de Reminiscences, foi uma coincidência eu ter recebido uma gravação que admirava muito. Trata-se de uma música escrita por volta de 1910 por um jovem compositor/pintor lituano, Ciurlionis, que morreu muito cedo em um asilo para loucos.

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Cineclube Imagem-Pensamento

Contemplado pelo 7º Edital do Audiovisual de Pernambuco – Funcultura 2013-2014, constitui-se de 10 programas, com sessões semanais de 2h30′

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A diversidade de pensamento com o cinema. Assim, o texto como imagem, as relações entre imagem e som, encontram-se ao lado de filmes pessoais com uma dimensão autobiográfica. Temas como os da sociedade de consumo contemporânea, da propaganda, da representação da mulher e do neocolonialismo motivam algumas sessões. Enquanto outras, mostram o cinema em situação onde o filme e o vídeo afirmam suas diferenças, através do filme como escultura. A questão do suporte situando o filme e o vídeo em diferente lugares, que vão da sala de cinema até a galeria, será também abordada nas sessões cineclubistas. Os filmes foram legendados em português e serão disponibilizados para os cineastas, e/ou distribuidores.

4as-feiras, em Bcúbico, às 19h      .      público estimado:  25 pessoas   .    entrada livre

// Programação Cineclube: Imagem Pensamento //

 

//08 out // Reminicences to a Journey to Lithuania

Jonas Mekas, 1972, 82′ (legendado em português)

 

//15 out // Imitations of Life, Mike Hoolboom, 2003, 21′  +  Nostalgia, Hollis Frampton, 1976, 36′

( filmes legendados em português)

 

// 22 out //  Programa Peter Rose

Secondary Currents, 1982, 17′ (legendado em português) + Metalogue, 1996, 3′ +Odysseus in Ithaca, 2006, 5’20 + Solaristics, 2013, 10′ + Studies in Transfalumination,  2008, 5′

 

// 29 out //  Reassemblage

Trinh Minh-ha, 1982, 40′ (legendado em português)

 

// 05 nov // De la servitude moderne / Da Servidão Moderna

Jean François Brient, 2013, 52′ (legendado em português)

 

//26 nov // Pink Narcissus, James Bidgood, 1971, 65′

 

// 03 dez // Line Describing a Cone, Anthony Mc Call,  1972, 30′ +  Conical Intersect, Gordon Matta Clark, 1975, 18’40

 

// 10 dez // The Deadman

Peggy Ahwesh & Keith Sanborn, 1989, 36′ (legendado em português )

 

// 17 dez // Nikita Kino

Vivian Ostrovsky, 2002, 41′ (legendado em português)

 

//  07 jan 2015  // Curtas de Jonas Mekas

 

Programação de yann beauvais, cineasta e curador de mostras de filmes e vídeos desde 1982, com assessoria do designer de filmes Ж, designer de filmes formado em direção de fotografia e pós-graduado em artes visuais pelo IUNA (Argentina).

– Programação apresentada por Ж

 

Author: Edson Yann

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